A falta de ar, também chamada de dispneia, pode ter diferentes causas. Algumas estão relacionadas ao coração, enquanto outras têm origem pulmonar, hematológica, metabólica ou em outras condições.
Quando a falta de ar surge durante atividades antes realizadas sem dificuldade, piora progressivamente, aparece ao deitar ou vem acompanhada de inchaço nas pernas, palpitações, dor no peito ou desmaio (síncope), uma causa cardiovascular precisa ser considerada.
Quando a falta de ar pode ser do coração?
O coração é responsável por manter o fluxo de sangue adequado para os diferentes órgãos. Quando existem alterações na capacidade de bombear ou receber sangue, podem ocorrer aumento das pressões dentro do coração e congestão pulmonar, provocando sensação de falta de ar.
A insuficiência cardíaca é uma das causas possíveis. Ela não significa que o coração tenha parado, mas que existe uma alteração estrutural ou funcional que compromete sua capacidade de atender adequadamente às necessidades do organismo.
Hipertensão arterial, doença coronariana, infarto prévio, doenças das válvulas cardíacas, arritmias e cardiomiopatias estão entre as condições que podem levar à insuficiência cardíaca.
A falta de ar também pode ocorrer em algumas pessoas com isquemia miocárdica, podendo constituir um equivalente anginoso. Por isso, uma dispneia nova ou inexplicada não deve ser automaticamente atribuída à ansiedade, sedentarismo, idade ou excesso de peso sem considerar o contexto clínico.
Sinais que aumentam a suspeita cardiovascular
Algumas características tornam particularmente importante investigar uma possível origem cardíaca.
A falta de ar que aparece progressivamente durante esforços antes bem tolerados pode indicar redução da capacidade funcional.
A ortopneia é a dificuldade para respirar que aparece ou piora ao deitar e melhora ao sentar ou elevar a cabeceira. Algumas pessoas percebem que passaram a precisar de mais travesseiros para dormir.
Outro sintoma possível é acordar durante a noite com falta de ar intensa e precisar sentar ou levantar para respirar melhor, quadro conhecido como dispneia paroxística noturna.
Inchaço nos pés, tornozelos ou pernas, ganho rápido de peso relacionado à retenção de líquido, palpitações, dor ou desconforto no peito, tontura ou desmaio também podem aumentar a suspeita de uma condição cardiovascular.
Nenhum desses sintomas, isoladamente, confirma insuficiência cardíaca ou outra doença do coração. Eles ajudam a definir a necessidade e a prioridade da investigação.
Falta de ar nem sempre é do coração
A dispneia possui muitas causas possíveis.
Asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, infecções respiratórias, embolia pulmonar, anemia, alterações metabólicas, excesso de peso, descondicionamento físico e algumas situações relacionadas à ansiedade estão entre os diagnósticos possíveis.
Mais de uma causa também pode estar presente simultaneamente. Uma pessoa pode, por exemplo, apresentar doença cardíaca e pulmonar ou ter obesidade e descondicionamento contribuindo para a intensidade dos sintomas.
Por isso, a causa da falta de ar não deve ser definida apenas pela descrição do sintoma ou por um único exame.
Como investigar a causa da falta de ar?
A investigação começa pela história clínica e pelo exame físico.
É importante entender quando o sintoma começou, se surgiu de forma súbita ou progressiva, sua relação com esforço e posição corporal e a presença de sintomas associados.
Quando existe suspeita de uma causa cardiovascular, o eletrocardiograma (ECG) pode contribuir para identificar alterações do ritmo e outros achados cardíacos.
O ecocardiograma tem papel importante quando há suspeita de insuficiência cardíaca ou doença estrutural, pois permite avaliar a anatomia e a função cardíaca, incluindo a função dos ventrículos e das válvulas.
Em pacientes com dispneia e suspeita de insuficiência cardíaca, a dosagem de BNP ou NT-proBNP também pode contribuir para apoiar ou tornar menos provável esse diagnóstico.
Outros exames laboratoriais e métodos cardiovasculares ou pulmonares podem ser necessários conforme a hipótese clínica.
O Holter, por exemplo, pode ser útil quando existe suspeita de que uma arritmia esteja relacionada aos episódios. O teste ergométrico ou outros métodos de avaliação de isquemia podem ser considerados em situações selecionadas.
O objetivo não é solicitar uma bateria de exames, mas escolher aqueles que realmente ajudam a responder à pergunta clínica de cada paciente. Conheça os exames realizados na Clínica Epicárdio.
Quando procurar atendimento imediatamente?
Falta de ar súbita, intensa ou rapidamente progressiva pode representar uma emergência.
A necessidade de atendimento imediato é ainda maior quando a dispneia está associada a dor ou desconforto no peito, desmaio, confusão, alteração importante do estado geral, coloração azulada dos lábios ou extremidades, palpitações persistentes ou dificuldade importante para respirar.
Entre as causas possíveis estão síndrome coronariana aguda, arritmias graves, embolia pulmonar e edema agudo de pulmão.
Nessas situações, a prioridade é procurar atendimento de urgência. No Brasil, o SAMU pode ser acionado pelo 192.
Quando procurar um cardiologista por falta de ar?
Quando a falta de ar é recorrente ou progressiva, aparece durante esforços antes bem tolerados, piora ao deitar ou está associada a edema, palpitações ou outros sintomas cardiovasculares, uma avaliação médica pode ajudar a esclarecer sua origem.
Na Clínica Epicárdio, em Passo Fundo, a investigação é individualizada a partir dos sintomas, do exame clínico e do perfil de risco de cada pessoa. Os exames são selecionados conforme a hipótese diagnóstica e a pergunta clínica que precisa ser respondida.
Quando houver sinais de emergência, entretanto, a prioridade é o atendimento de urgência, e não aguardar uma consulta ambulatorial.

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