Dor no peito: quando procurar um cardiologista?

Dor no peito: quando procurar um cardiologista?

A dor no peito pode ter diferentes causas. Algumas são benignas, mas outras podem representar uma emergência cardiovascular. Por isso, diante de uma dor nova ou de características preocupantes, o mais seguro não é tentar descobrir a causa em casa, mas reconhecer os sinais de alerta e procurar atendimento no momento adequado.

Dor de origem cardíaca nem sempre é intensa. Além disso, a probabilidade de doença cardiovascular varia de acordo com idade, características dos sintomas, doenças prévias e fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, doença renal e histórico familiar. Saiba também como é feita a avaliação do risco cardiovascular.

A dor no peito continua sendo uma manifestação importante de síndrome coronariana aguda tanto em homens quanto em mulheres. Algumas pessoas, porém, podem apresentar sintomas associados ou predominantes, como falta de ar, náusea, suor frio, tontura ou cansaço incomum, o que pode dificultar o reconhecimento do problema.

Dor no peito: quando pode ser do coração?

A dor relacionada ao coração pode ocorrer quando existe redução do fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco, como acontece na angina e no infarto. Ela pode ser percebida como pressão, aperto, peso, queimação ou desconforto no tórax, e não necessariamente como uma dor intensa.

O desconforto também pode ser percebido nos braços, ombros, costas, pescoço, mandíbula ou parte superior do abdome. Falta de ar, suor frio, náusea, tontura, palpitações ou sensação de desmaio (síncope) podem acompanhar o quadro.

A relação com o esforço é uma informação importante. Um desconforto que aparece ao caminhar, subir escadas ou realizar outras atividades e melhora com o repouso pode levantar a suspeita de angina e merece avaliação médica.

Por outro lado, uma dor nova, persistente, progressiva ou acompanhada de sinais de alerta deve ser avaliada imediatamente, principalmente quando existe possibilidade de uma síndrome coronariana aguda.

Quando a dor no peito é uma emergência?

Dor ou desconforto torácico de início recente associado a falta de ar, suor frio, náusea, palidez, fraqueza intensa, desmaio ou desconforto que se espalha para braços, mandíbula, costas ou outras regiões pode representar uma emergência cardiovascular.

Nessas situações, a orientação é procurar atendimento de urgência. No Brasil, o SAMU pode ser acionado pelo 192.

Não é recomendável dirigir sozinho até o hospital diante de sintomas potencialmente graves. Em uma síndrome coronariana aguda, reconhecer o quadro e iniciar o atendimento rapidamente pode fazer diferença no prognóstico.

Além do infarto, existem outras causas potencialmente graves de dor torácica, incluindo dissecção aguda da aorta e embolia pulmonar. Por isso, a avaliação de uma dor aguda não deve se limitar apenas à possibilidade de doença das artérias coronárias.

Nem toda dor no peito é do coração

Existem muitas causas não cardíacas de dor torácica. Refluxo gastroesofágico, alterações musculoesqueléticas, doenças pulmonares e algumas condições relacionadas à ansiedade estão entre as possibilidades.

Uma dor localizada que piora ao movimentar o tronco ou ao pressionar determinada região pode sugerir uma origem musculoesquelética. Queimação relacionada às refeições ou à posição deitada pode ocorrer no refluxo.

Entretanto, essas características isoladamente não permitem excluir uma causa cardiovascular. Uma pessoa pode inclusive apresentar mais de uma condição ao mesmo tempo. Por isso, automedicação ou conclusões baseadas apenas no tipo de dor podem atrasar uma avaliação necessária.

Como a dor no peito é investigada?

A investigação começa pelas características dos sintomas, exame clínico e estimativa do risco cardiovascular. O objetivo inicial, principalmente diante de uma dor aguda, é identificar ou excluir condições potencialmente graves.

Quando existe suspeita de síndrome coronariana aguda, o eletrocardiograma (ECG) tem papel central na avaliação inicial. Dependendo do contexto, também são realizadas dosagens de troponina cardíaca, preferencialmente utilizando métodos de alta sensibilidade, para auxiliar na identificação ou exclusão de lesão do músculo cardíaco.

A avaliação não termina necessariamente em um único ECG ou em uma única dosagem laboratorial. A interpretação depende do momento de início dos sintomas, dos achados clínicos e da evolução do quadro.

Depois de afastada uma situação de emergência, a necessidade de outros exames depende da probabilidade de doença cardiovascular e da pergunta clínica que precisa ser respondida.

O ecocardiograma, o teste ergométrico, a angiotomografia das artérias coronárias ou outros métodos podem ser utilizados em situações selecionadas. Nem toda pessoa com dor no peito precisa realizar todos esses exames — e algumas pessoas consideradas de baixo risco podem não precisar de investigação cardíaca adicional imediata.

Conheça também os principais exames cardiológicos e como cada método pode contribuir em diferentes situações clínicas.

Dor no peito recorrente também merece atenção?

Sim. Mesmo quando não existe uma situação de emergência, episódios recorrentes de desconforto torácico podem justificar avaliação médica, especialmente quando aparecem durante esforço, estão se tornando mais frequentes ou representam uma mudança recente no padrão habitual.

Nesses casos, a consulta permite avaliar as características dos sintomas, fatores de risco, exame físico e histórico clínico para estimar a probabilidade de doença cardiovascular.

A partir dessa avaliação é possível decidir se algum exame complementar realmente acrescentará informação e qual método é mais adequado para aquela situação.

Quando procurar avaliação cardiológica?

Dor recorrente, desconforto relacionado ao esforço ou mudança recente no padrão dos sintomas merece avaliação médica, mesmo quando não existe uma situação de emergência.

Na Clínica Epicárdio, em Passo Fundo, a avaliação é individualizada de acordo com os sintomas, o exame clínico e o perfil de risco de cada pessoa. Quando necessário, os exames cardiovasculares são selecionados de acordo com a questão clínica que precisa ser esclarecida.

O objetivo não é realizar uma bateria de exames, mas identificar o risco, formular a hipótese clínica e utilizar cada recurso diagnóstico quando ele realmente acrescenta informação.

Quando houver sinais de uma possível emergência cardiovascular, porém, a prioridade não é aguardar uma consulta ambulatorial: é procurar atendimento de urgência.

Respostas

  1. […] piora progressivamente, aparece ao deitar ou vem acompanhada de inchaço nas pernas, palpitações, dor no peito ou desmaio (síncope), uma causa cardiovascular precisa ser […]

  2. […] edema bilateral é uma emergência. Entretanto, falta de ar intensa ou rapidamente progressiva, dor no peito, desmaio, confusão ou piora importante do estado geral associadas ao inchaço exigem avaliação […]

  3. […] da visão ou fraqueza súbita — especialmente se estiver associada a palpitações, esforço, dor no peito ou falta de ar — uma causa cardiovascular precisa ser […]

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